O Termômetro divulgado neste mês pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) destaca a ansiedade do setor com as propostas do atual governo para reverter a situação do País, em termos de aquecimento da economia e geração de empregos. O estudo indica desestímulo entre as empresas do ramo quando avaliam as ações realizadas desde janeiro e revela ainda a expectativa de desempenho em vendas no mês de maio e as projeções para junho.

“Reconhecemos as iniciativas do governo em buscar identificar as diferentes demandas para a recuperação econômica do Brasil, mas isso não é suficiente em um momento tão delicado para a economia. Seguimos com obras de infraestrutura paralisadas e questões importantes, como a modernização do marco regulatório para o saneamento básico, também sem avanço. Tudo isso somado à crescente expectativa sobre as condições de aprovação das necessárias reformas da previdência e tributária criam um ambiente que não favorece as expectativas”, afirma Rodrigo Navarro, presidente da Abramat, em comunicação oficial.

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De acordo com o estudo, no início de 2019 as indústrias do ramo demonstravam alta expectativa sobre o novo governo, cenário que vai sofrendo mudanças. O levantamento de maio aponta que 38% das empresas manifestaram pessimismo sobre as ações do governo, somadas a 54% que veem tais ações com indiferença. Somente 8% das empresas ainda demonstraram otimismo com as ações governamentais para os próximos meses. Em janeiro, por exemplo, este percentual chegou a 56%.

Quando analisado o faturamento das empresas em maio, o termômetro apontou que, para 33% das associadas, o resultado no mês foi “bom”, ao passo que 29% avaliam o período como regular e as demais 37% reportaram desempenho “ruim” ou “muito ruim”.

Futuro

A expectativa sobre o mês de junho é ligeiramente mais otimista, com os mesmos 33% das associadas projetando resultado “bom”, 54% “regular” e 13% “ruim”. O aumento do pessimismo acabou impactando as pretensões de investimento no médio prazo, bem como é refletido no nível de utilização de capacidade instalada da indústria de materiais de construção. De acordo com a pesquisa, caiu de 83% para 62% o número de associadas com pretensões de fazer investimentos em sua produção e, com queda de 3%, o setor chegou a 69% de utilização da capacidade instalada.

“Mas isso não significa que estamos parados. Estamos trabalhando ainda mais, internamente, com outras entidades e em conjunto com diferentes Ministérios, por meio das Mesas Executivas, por exemplo, para buscar a viabilização de propostas de curto, médio e longo prazo para melhorar esse cenário. O crescimento do setor da construção civil é fundamental para a criação de empregos, renda e atração de investimentos, beneficiando toda a economia”, explica o presidente da Abramat.