Mobilidade é a palavra de ordem para a construção civil em grandes centros. Cada vez mais, projetos arquitetônicos comerciais e residenciais abrangem diferentes estratégias para facilitar o dia a dia de seus moradores e frequentadores. Em São Paulo, o Plano Diretor Estratégico (PDE) da cidade, aprovado em agosto de 2014, incentiva não só a construção nas proximidades dos acessos ao transporte público, como a diminuição da quantidade de vagas de garagem nos prédios. Para atender o público sem o veículo, as construtoras recorrem ao conceito conhecido como car sharing (nome em inglês para compartilhamento de carros).

A Vitacon é uma das referências da prática no mercado brasileiro. Desde 2011, todos os empreendimentos lançados pela empresa oferecem o serviço de compartilhamento. Além dela, nomes como Gafisa, MRV e Tecnisa já tiveram ou têm projetos que incluem veículos compartilhados no espaço do edifício. “Nosso objetivo é que a moradia seja o grande propulsor da mobilidade. Além de pensarmos nas localizações dos terrenos, a ideia é dar o máximo de modais possíveis para que o cliente possa escolher o que melhor o atende no momento”, afirma Alexandre Frankel, CEO da construtora. Além dos veículos, os condomínios da Vitacon também oferecem compartilhamento de patinetes, bicicletas e até scooters.

O serviço funciona assim: o automóvel, oferecido por uma empresa parceira terceirizada, fica disponível 24 horas por dia na garagem do prédio. Por meio de uma plataforma de agendamento online, o condômino verifica a disponibilidade e faz a reserva. O pagamento é por hora de uso e por quilômetro rodado e os moradores ou proprietários têm descontos exclusivos. Segundo Frankel, o sucesso do modelo de compartilhamento é tamanho que a empresa prevê lançamentos com maior número de carros disponíveis e até um subsolo inteiro só de veículos para aluguel. “A percepção que temos é de que as garagens estão cada vez mais ociosas. Já a utilização do compartilhamento vem subindo proporcionalmente.”

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Vantagens para o bolso

Quando o gerente comercial Julio Bastos, de 30 anos, se mudou para um condomínio com o serviço, veio a ideia: e se ele abrisse mão do carro próprio para testar? “Quando vi que poderia utilizar o carro por locação e ter a facilidade de fazer tudo por meio de um aplicativo, devolver e não ter responsabilidades como impostos, seguro e financiamento, tomei a decisão”, conta.

A escolha, garante Julio, foi acertada. Ele estima que a economia ultrapassa os R$ 16 mil por ano. Mas ele ressalta que a troca só foi possível por viver em um imóvel localizado perto de seu trabalho. Além disso, Julio afirma que o compartilhamento estreita laços de convivência. “Viramos uma família no prédio. Se duas pessoas precisam utilizar o carro, uma acaba dando carona para a outra e isso nos aproxima”, comenta.