Crédito: João Pedro Varela/Divulgação J. A. Russi
A imagem de homens carregando tijolos e tomando decisões faz parte do imaginário que se construiu em torno do mercado imobiliário. Um movimento recente realizado pela construtora catarinense J. A. Russi tenta contrastar essa visão. Desde 2018, a companhia conta com três mulheres em cargos de liderança e, durante a gestão delas, a empresa registrou um salto de 400% em Valor Geral de Vendas (VGV).
Suzana de Fátima Russi Chiamenti assumiu a presidência do grupo em 2018, após o falecimento de João Amadeu Russi, o fundador da companhia e seu pai. Joana Russi Reis, sua irmã, ocupa a vice-presidência e Rose Russi, sua mãe, atua como conselheira.
No ano anterior à promoção de Suzana, a empresa havia alcançado um VGV de R$ 65 milhões. Em 2023, a J. A. Russi conquistou um VGV de R$ 360 milhões.
Além dos resultados já alcançados, a empresa projeta um crescimento de 70% em 2025. Essa expectativa é baseada no banco de terrenos da empresa de aproximadamente 300 mil m² e avaliado em cerca de R$ 700 milhões. “Muito do nosso avanço se deve ao salto histórico de valorização da região de Balneário Camboriú e do litoral de Santa Catarina”, comenta Suzana Chiamenti.
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“Também conseguimos transformar o banco de terrenos, que é uma herança da época do meu pai, em produtos relevantes”, comenta. “Desde que assumimos, implementamos uma gestão colegiada, setorizando produtos e dividindo projetos. Antes, tudo ficava só na cabeça dele e os processos eram mais limitados. Hoje, temos equipes que trabalham de forma colaborativa”, analisa.
Com atuação em Balneário Camboriú, Itapema e Itajaí, o portfólio da construtora conta com mais de 1.500 apartamentos de alto padrão e 300 salas comerciais entregues, além de quase 500 mil metros quadrados de obras concluídas. Porém, a entrada das mulheres nos cargos de liderança também significou um novo estágio para a empresa, com a entrega de novos tipos de produtos.
“Alguns já estavam em desenvolvimento quando o meu pai faleceu e outros nós desenvolvemos do zero. São projetos de altíssimo padrão e design sofisticado”, observa. Considerando parcerias e projetos societários com outras empresas, a J. A. Russi tem quatro empreendimentos previstos para 2025.
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Além disso, a companhia conta com dois projetos proprietários em fase de construção: o Sunny Coast, em Itapema, e o Harmony Ocean Front, em Balneário Camboriú. Com previsão de entrega para 2027 e 2028, respectivamente, os prédios somam, juntos, mais de R$ 579 milhões em VGV.
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Localizados nas duas cidades com o preço de metro quadrado mais caro do País, os edifícios marcam a jornada de mais de 35 anos da J. A. Russi. “É uma empresa de construção familiar. Passei a maior parte da minha vida nos corredores da construtora. Tanto é que meu pai faleceu numa terça-feira de carnaval e na terça seguinte eu já estava liderando o grupo”, relembra.
Suzana conta que o pai já fomentava sua participação no cotidiano da construtora desde a juventude. “Ele sempre me colocou para trabalhar em diversas funções. Além dos prédios residenciais, o grupo conta com centros comerciais e boliches. Em dias comuns, nós atuávamos como auxiliar de escritório, secretária e outros papeis. Nas férias, trabalhávamos recebendo pessoas no boliche, abrindo a loja etc”.
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“Ele também sempre cobrou bastante dos nossos estudos e reforçava a importância de ganhar experiência. Tanto é que, quando nos formamos, ele criou uma empresa para que eu e minha irmã ficássemos responsáveis pela gestão”, acrescenta. A empresa focada na produção de Estaca Hélice Contínua para construções abriu filiais em vários estados do País.
Depois da experiência, as duas voltaram para a J. A. Russi, onde Suzana se especializou nas questões administrativas e financeiras, enquanto Joana tratou da locação de salas comerciais e Recursos Humanos. “O desafio seguinte foi mostrar ao mercado que, mesmo com a perda, estávamos prontas para seguir em frente, trazendo uma nova dinâmica para a construtora”, comenta.
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“Acredito numa governança feita em comitê. Gosto de ouvir as ideias de todos e trazer as decisões importantes para o grupo. Isso fortaleceu nossa equipe e trouxe uma nova energia para a empresa”, afirma. Suzana conta que, apesar do ambiente reconhecidamente masculino, não enfrenta grandes dificuldades. “Meu pai me ensinou que eu não precisava ter medo de nada por ser mulher”.