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Guia de Bairros

Lapa

Tudo que você quer e precisa num bairro só

“Lugar por onde se passa”. Era assim que os indígenas se referiam à região da atual Lapa, lá nos idos do século 16, quando as terras do bairro eram uma sesmaria dos jesuítas próxima ao rio Emboaçava, o Pinheiros de hoje. Há duas versões sobre a origem do nome do distrito. Uma é a de um português que carregava uma imagem de Nossa Senhora e construiu uma gruta para a santa, e a outra da missa anual celebrada pelos jesuítas em homenagem à padroeira do bairro.

Entre os imóveis da então denominada paragem do Emboaçava, a partir dos meados do século XVIII destacou-se a “fazendinha da Lapa”, propriedade vizinha aos sítios da Água Branca, Mandi, Emboaçava e Tabatinguá. Em 1743, os jesuítas deixaram a região. Poucos anos depois, toda a paragem de Emboaçava registrava apenas cinco casas com 31 habitantes.

No final do século seguinte, o das imigrações, chegaram à Lapa famílias do norte da Itália, que se dedicavam ao plantio de frutas e verduras e, em seguida, italianos da região de Veneza, portugueses, espanhóis, franceses, entre outros. Até hoje a maior influência no bairro é a italiana.

Na segunda metade do Século XIX, São Paulo vivia o auge da cafeicultura. Por essa época houve uma migração das fazendas de cultivo do grão do Vale do Paraíba para a área de Campinas. Para escoar a produção, em 1867 os ingleses da “Association of the São Paulo Railway Co. Ltda” construíram uma estrada de ferro que ligava Jundiaí ao Porto de Santos. Uma das paradas na capital era próxima à ponte do sítio do Coronel Anastácio de Freitas Troncoso, nas terras que no futuro abrigariam o bairro da Lapa. 

Simultaneamente à chegada do progresso pelos trilhos, as pequenas propriedades rurais do território começaram a ser loteadas. Os primeiros compradores eram imigrantes italianos que se estabeleceram por ali. Não por acaso, o primeiro loteamento da área foi chamado de Vila Romana, mesmo nome do atual bairro. 

A ferrovia foi fator fundamental para a implantação das primeiras indústrias na futura zona oeste da capital, como a vidraçaria Santa Maria e o Frigorífico Armour. A proximidade com o Rio Tietê estimulava a industrialização daquele pedaço de São Paulo. E, com as fábricas, chegaram também os operários, que começaram a lotear terras e formar novos núcleos urbanos, como a Vila Anastácio e a Vila Ipojuca. A partir de 1920, a Cia City realizou os loteamentos do Alto da Lapa e Bela Aliança. Em 1926, a Vila Leopoldina foi retalhada em pequenos lotes urbanos. Desta forma, estava definida a estrutura básica da Lapa que se conhece hoje. 

Com o adensamento urbano, a Lapa viu crescer um comércio que se tornou um dos mais importantes da cidade. Em 1954, nascia um dos marcos do bairro, o Mercado Municipal, ou Mercadão da Lapa, construído no mesmo lugar onde se realizava a maior feira livre da capital. Em 1966, surgiu o CEASA – atual CEAGESP – na Vila Leopoldina e, em 1968, foi inaugurado, na Rua Catão, o shopping com o nome do bairro, que até hoje segue aberto. 

A construção das duas Marginais, a Tietê e Pinheiros, integrou de vez a Lapa à cidade, o que fez dela a principal referência da zona oeste e um dos mais importantes bairros da maior cidade do continente. 

Mobilidade

A Lapa oferece fácil deslocamento para outras regiões de São Paulo, pois é atendida pelos trens da linha 7-Rubi e 8-Diamante. O distrito conta ainda com um terminal de ônibus por onde passam 30 linhas, transportando, em média,  60 mil pessoas por dia, segundo estimativa da SPTrans. 

E uma velha reivindicação dos “lapeanos” está prestes a ser atendida. Ainda que não chegue ao coração do bairro, a Linha 6 Laranja vai levar o Metrô próximo dele. São duas paradas nas adjacências do Mercadão e da rua 12 de Outubro: Santa Marina e Água Branca. Depois de paralisadas por quatro anos, as obras foram retomadas em julho de 2020. A previsão é que o serviço que ligará a Vila Brasilândia, no extremo norte da cidade, à Estação Joaquim comece a operar em 2026. 

Mas a linha que de fato atenderá a região será a futura 20 Rosa do Metrô. O projeto irá ligar a Lapa ao município de Santo André, no ABC. A estação do bairro será integrada à parada da Linha 7 da CPTM, bem em frente ao Mercado Municipal. Trata-se do maior e mais ambicioso projeto metroferroviário da história de São Paulo. Segundo estimativas do governo do Estado, o custo do empreendimento, incluindo as desapropriações, ultrapassará a casa dos R$ 20 bilhões. Como o governo estadual não tem recursos para financiar a empreitada, o projeto deverá ser viabilizado por meio de PPP (Parceria Público Privada). 

No momento, a Linha 20 Rosa está em fase de elaboração do projeto funcional e anteprojeto, além da análise dos pedidos das licenças ambientais necessários para realização da obra. O primeiro prazo estimado para entrega da linha é em meados de 2040. 

Educação

Os colégios Adventista, Santo Ivo, Módulo, Escola Saga unidade Lapa, Campos Salles, Pré-Médico, entre outros, fazem parte da rede de ensino particular que atende a Lapa. Pelo ensino público a população pode contar com a Escola Estadual Pereira Barreto, a E.E. Prof. Reynaldo Porchat, E.E. José Monteiro Boanova e E.E. Guilherme Kuhlmann e E.E Anhanguera. Há também as Escolas Municipais de Educação Infantil Prof. Neyde Guzzi De Chiacchio, Jean Piaget e Dona Leopoldina.      

O  Senac conta com duas unidades antigas no bairro: Tito e Scipião. Entre os cursos oferecidos na da rua Tito estão Design, Artes e Arquitetura; Gestão de Negócios e Turismo e Hospitalidade. Na Scipião, referência em comunicação e artes, são ministrados os de Design em Animação e Fotografia.   No ensino superior estão na região os campus das universidades privadas UniBta Digital, especializada em TI, Faculdade Flamingo, Faculdades Integradas Campos Salles, UNIP  e o Polo de ensino híbrido da Unopar/Anhanguera.  

Saúde

O bairro é atendido por duas grandes unidades hospitalares privadas: o  Hospital Albert Sabin e o Hospital Metropolitano. Pela rede pública, a principal instalação da região é o tradicional Hospital Central Sorocabana. Depois de anos com as portas fechadas, o Sorocabana foi parcialmente reaberto durante a pandemia do Covid-19. Em maio, o governo do estado doou suas instalações à Prefeitura de São Paulo. 

Referência na área de curativos, o Complexo Hospitalar Sorocabana dispõe hoje de 55 leitos, sendo 35 de enfermaria, 10 de estabilização/UTI e 10 de clínica cirúrgica eletiva; e mais duas salas cirúrgicas com o apoio de 279 profissionais. 

A população sem acesso à saúde privada conta também com o Pronto Socorro Municipal Lapa; Ambulatório Médico de Especialidades do Idoso Oeste; Hospital Dia da Rede Hora Certa – Lapa; Unidade Básica de Saúde Vila Ipojuca; Serviço de Atendimento Especializado em DST/AIDS Paulo César Bonfim e Centro de Atenção Psicossocial (CAPS III)

Lazer

Um dos mais antigos equipamentos esportivos da cidade,  o Centro Educacional Esportivo Edson Arantes do Nascimento, conhecido como “Pelezão”, oferece aulas e oficinas de diversas modalidades esportivas, quadras poliesportivas, piscinas, campo de futebol, playgrounds e quadras de areia. O local foi inaugurado em 20 de novembro de 1969, um dia depois de Pelé, a quem homenageia, marcar seu milésimo gol no Maracanã com a camisa do Santos. Antes de ser um clube municipal, o espaço de 98 mil m² era uma antiga  pista de motocross.

O bairro conta também com um dos centros de compras mais antigos da cidade. Inaugurado em 1968, o Shopping Center Lapa segue na ativa com mais de 100 lojas. Pertinho dele está uma das ruas de comércio mais concorridas da cidade, a 12 de Outubro, para muitos a “25 de Março da zona oeste”. São centenas de lojas, barracas e quiosques de rua vendendo milhares de produtos a preços populares. 

Gastronomia

Segundo mercado público mais famoso da cidade, o Mercadão da Lapa é um verdadeiro paraíso para os amantes da culinária. Em seus 4.840 m² é possível encontrar queijos, vinhos, frutas, especiarias, azeites, carnes, pescados e produtos sofisticados para chefs e cozinheiros amadores. Inaugurado no dia 24 de agosto de 1954, o Mercadão da Lapa ocupa o terreno onde se realizava aquela que na época era a maior feira livre da cidade. Depois de uma grande reforma que o deixou mais moderno e elegante, o Mercadão conta hoje com 96 lojas e bancas. 

O buffet de café da manhã da padaria Dona Deôla é a salvação dos  baladeiros notívagos e madrugadores. Para quem gosta de uma boa pizza, a Vituccio Pizzaria é tradição no bairro desde 1982. São mais de 40 sabores no cardápio. 

Um ícone do bairro é o restaurante Dona Felicidade. A dona, a portuguesa Felicidade Bastos, morreu em 20022, aos 96 anos.  Mas seu legado segue vivo na casa hoje administrada pelos filhos que estão à frente também de outro boteco icônico da região, o Tiro-Liro. Antes do restaurante que leva seu nome, Dona Felicidade criou, ao lado do marido Manuel, outro patrimônio botequeiro da cidade, o Pé para Fora. 

Bar muito popular da região, o Valadares ficou famoso por iguarias exóticas, como a rã à milanesa e os testículos de boi. Mas para quem não quer se arriscar, tem o tradicional PF e porção de salame.

Outro programa imperdível na região é o combo Teatro Cacilda Becker/Bar Cacilda. O restaurante-bar é o acompanhamento ideal para quem vai curtir uma peça ou musical no equipamento cultural público que fica do outro lado da esquina. 

PET

Com alta densidade populacional, a Lapa é um bairro com poucas áreas verdes. O maior parque próximo é o Villa Lobos. O espaço oferece dois cachorródromos, áreas cercadas e delimitadas onde os bichos podem correr e brincar sem coleiras e guias. Os animais de pequeno porte devem ficar em um espaço de 500 m². Os maiores no de 1,5 mil m². Eles são separados por tamanho e peso justamente para segurança dos menores, que podem levar a pior numa brincadeira com os “grandões”. 

O piso é de areia,  há dois quiosques com cobertura e alguns bancos para os tutores sentarem. Perto da grade, há bebedouros para que matem a sede. No meio do espaço há um túnel e pneus para que os bichos possam passar por  cima e por dentro deles. 

Na Lapa há “para cães” em três praças do distrito. São elas Adroaldo Barbosa Lima; Ilza Weltman Hutzler e Amadeu Decome. Para frequentá-los, a Prefeitura informa que há regras e normas que precisam ser seguidas. São elas: recolhimento das fezes para evitar sujeira e propagação de doenças, carteira de vacinação em dia, aplicação regular de antipulgas e anticarrapatos e uso de focinheira para animais de raças mais agressivas. Outra recomendação é manter o animal seguro em guias e coleiras.

Duas mega redes do mercado Pet têm unidades na região. As gigantes Petz e Cobasi disputam a clientela a poucos metros uma da outra na movimentada rua Cerro Corá. 

Cultura

O Tendal da Lapa é um centro cultural completo. Inaugurado em 1989 com uma “invasão cultural” do Grupo Teatro Pequeno, o espaço oferece à população apresentações teatrais e shows musicais. Lá são ministradas também oficinas de artes, dança, circo, esportes e músicas. Tudo gratuíto. O Tendal está instalado no local onde funcionava o antigo matadouro do bairro.

Outro importante equipamento cultural público do território é o Teatro Cacilda Becker. Inaugurado no aniversário de São Paulo em 1988, foi projetado para atender a demanda de teatros da zona oeste da cidade, sendo o único da Prefeitura naquela região. Após reforma e modernização, foi reinaugurado em 2009. 

Segurança 

Depois de passar 2022 sem registrar um homicídio sequer, a região da Lapa registrou  três mortes violentas em seu perímetro nos sete primeiros sete meses do ano. Além dos assassinatos, houve também três tentativas de homicídio registradas no 7º DP, a unidade policial do bairro. Apesar dos fatos, o bairro ainda apresenta números muito inferiores aos verificados nas regiões mais violentas da cidade. 

Em relação a furtos e roubos, o bairro registrou 3,291 ocorrências de janeiro a julho deste ano, a maioria de celulares e objetos pessoais subtraídos nas principais ruas de comércio do perímetro.  Ano passado foram 5.035 ocorrências desse delito. 

Localização

Principal bairro da zona oeste paulistana, a Lapa está localizada na borda da Marginal do Rio Tietê e faz fronteira com bairros como Pompeia, Água Branca e Vila Leopoldina. Está localizada a 11,3 quilômetros da Praça da Sé, 11,7 quilômetros do Terminal Rodoviário do Tietê, 16,6 quilômetros do Aeroporto de Congonhas e a 35 quilômetros do Aeroporto de Cumbica. Suas principais vias de circulação e acesso são a Marginal do Tietê, a avenida Ermano Marchetti e as ruas Guaicurus, Pio XI, Cerro Corá e Clélia

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