Um apartamento de 61 m² a 90 m² com dois ou três quartos, que possua churrasqueira e um espaço para home office. Este é o imóvel ideal para os brasileiros, desde que ele custe até R$ 500 mil. É isto que mostra o estudo Tendências de Moradia, divulgado pelo DataZAP nesta quarta-feira (11) durante a 11º edição do Conecta Imobi, evento que reúne executivos e empresas do setor imobiliário.
O estudo, que ouviu 718 pessoas que compraram ou pretendem comprar um imóvel nos próximos 12 meses, mostra que o número de pessoas trabalhando presencialmente aumentou de 52%, em 2023, para 69%, neste ano. Outros 18% trabalham em formato híbrido e apenas 12% totalmente em home office.
Entre este grupo de pessoas que podem trabalhar de casa, mesmo que em formato híbrido, o desejo de um espaço para escritório é apontado por 59% deles.
“As pessoas não querem mais ambientes flexíveis, como um quarto que é usado para o trabalho, mas tem outras finalidades – algo comum durante a pandemia. Agora elas querem um espaço destinado apenas para o trabalho”, observa Gabriela Domingos, especialista em Inteligência de Mercado no Grupo OLX.
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O crescimento do trabalho presencial também ajudaria a justificar a afirmação de 80% dos entrevistados, que disseram querer comprar um imóvel na cidade em que moram. Na perspectiva de Domingos, entretanto, o ir e vir ao escritório não é o fator determinante.
“O público de compra não é tão motivado pela localização do trabalho. Eles são mais motivados pelas características específicas do imóvel”, argumenta. “Esta é a principal mudança para o público de locação, por exemplo”, acrescenta a executiva.
Em relação à localização, a compra é mais motivada por outros itens, como proximidade de supermercados, padarias e farmácias. Cerca de 8 em cada 10 brasileiros indicam estes três itens como prioridade na busca por um imóvel.
Para 88% dos entrevistados, a compra do imóvel significaria um lugar para morar, enquanto 12% enxergam a ação como uma oportunidade de investimento. As pessoas também preferem um apartamento padrão. Para 39% dos respondentes, este é o imóvel ideal. Sendo que o número sobe quando a idade dos entrevistados está acima dos 61 anos (54%).
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Casas de rua aparecem na segunda posição com a preferência de 35% do público geral. Em contraste ao movimento percebido em grandes metrópoles, como São Paulo, os estúdios e kitnets são o sonho de apenas 2% do público. “Estamos vendo o boom no crescimento deste tipo de imóvel, mas ele é impulsionado por um público jovem, que é mais flexível, e pelo público investidor”, analisa Domingos.
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Sobre os valores, cerca de 70% dos respondentes calculam que o orçamento para a compra é de até R$ 500 mil, sendo que 29% indicam o valor ideal até R$ 200 mil, 17% de R$ 200 mil a R$ 300 mil e 24% apontam de R$ 300 mil a R$ 500 mil.
A pesquisa também indica que os imóveis mais buscados têm de 61 a 90 m² e possuem dois ou três dormitórios. Além do ambiente para escritório, entre as preferências do público aparecem o quarto de hóspedes, sala de estar e varanda.
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Na avaliação de importância dos itens de lazer, aparecem academia (31%), piscina externa (30%) e salão de festas (29%), mas nenhum é tão relevante quanto a churrasqueira. Para 43% dos respondentes, o nível de interesse neste diferencial é alto na hora de comprar um imóvel. Depois disso, aparece o bicicletário (21%), playground (19%) e quadra poliesportiva (19%).
Considerando os itens não convencionais, mini mercado, mensageria e espaço pet são os espaços de maior relevância. “Estamos vendo uma transição do morar. As pessoas não querem mais apenas um lugar para dormir. Elas buscam o bem-estar dentro de casa”, comenta Domingos.