Crédito: Stefano Tammaro/AdobeStock
A inteligência artificial já se consolidou como uma das principais alavancas de performance para o e-commerce. Um estudo da McKinsey, destacado no report Brazil at an Inflection: the battle for sustainable growth, elaborado pelo BTG, indica que a personalização orientada por IA pode elevar as taxas de conversão entre 10% e 15%, enquanto ecossistemas totalmente integrados já alcançam aumentos de 25% em conversão, 17% no ticket médio e 12% no valor do ciclo de vida do cliente. Esses ganhos ajudam a explicar a velocidade de adoção da tecnologia e, sobretudo, antecipam mudanças profundas na infraestrutura logística que sustenta o comércio digital.
Sempre que a eficiência da venda cresce, o impacto sobre a logística é imediato. Mais conversão significa mais pedidos, maior giro de estoque e menor tolerância a falhas. Nesse contexto, o galpão deixa de ser um ativo operacional e passa a ser um elemento estratégico de captura de valor e a inteligência aplicada ao front-end se materializa quando encontra, no mundo físico, uma infraestrutura capaz de responder com velocidade, flexibilidade e precisão.
A própria evolução da busca e da descoberta de produtos ilustra esse movimento e, para o mercado de galpões, isso implica operações mais intensivas em picking, layouts mais flexíveis, além da maior necessidade de automação.
O crescimento do comércio conversacional reforça essa pressão. Consumidores que interagem com chats de IA convertem quase quatro vezes mais do que não usuários e, no caso de clientes recorrentes, o gasto médio pode crescer até 25%. Esse aumento de eficiência no front-end encurta prazos de entrega e eleva o nível de serviço esperado. Como consequência, cresce a demanda por galpões e condomínios logísticos, capazes de sustentar operações de fulfillment e last mile em escala.
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A precificação dinâmica, impulsionada por machine learning, é outra tendência com efeitos diretos sobre a logística. Ao ajustar preços em tempo real, varejistas aceleram o giro de determinadas categorias, reduzem estoques parados e aumentam a frequência de reposição. Isso favorece empreendimentos com alta capacidade operacional, infraestrutura elétrica robusta e layouts preparados para picos de demanda — características que devem se tornar padrão nos próximos ciclos de desenvolvimento.
Olhando para os próximos anos, algumas tendências se tornam claras. A primeira é a maior capilarização da malha logística. À medida que a personalização avança, os estoques tendem a se aproximar ainda mais do consumidor final, impulsionando a demanda por galpões em regiões metropolitanas e mercados secundários com consumo relevante. A localização deixa de ser apenas uma vantagem competitiva e passa a ser um pré-requisito e diferencial do negócio.
A segunda tendência é o aprofundamento do “flight to quality”: galpões modernos, com padrão construtivo elevado, integração tecnológica e flexibilidade operacional, passam a ser essenciais para viabilizar os ganhos prometidos pela IA. Ativos antigos, rígidos ou mal localizados tendem a perder relevância, independentemente do custo nominal de locação.
A terceira é a maior integração entre dados e espaço físico. Galpões deixam de ser apenas locais de armazenagem e passam a funcionar como plataformas logísticas, integradas a sistemas avançados de gestão, automação e análise preditiva.
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A logística tem assumido um papel central na estratégia de crescimento das empresas, especialmente em um ambiente em que a venda é cada vez mais personalizada, dinâmica e orientada por dados, a eficiência logística deixa de ser apenas uma questão de custo e passa a ser determinante para a experiência do cliente e a fidelização.
A inteligência artificial está redesenhando a forma como as empresas vendem. O mercado de galpões logísticos, por sua vez, está sendo redesenhado para sustentar essa nova lógica. Nos próximos anos, a competitividade do setor dependerá cada vez mais da capacidade de alinhar tecnologia, localização e infraestrutura física em uma mesma equação de valor.