O que parece mais interessante? Continuar pagando uma conta de luz que sobe todo ano ou investir algum dinheiro em um gerador solar que irá permitir uma economia de até 95% na conta? Esta alternativa parece tão atraente que o número de brasileiros que optou por assumir seu próprio fornecimento de energia é cada vez maior. Atualmente, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o sistema de energia solar fotovoltaica atende mais de 100 mil imóveis no País.

É o caso do síndico profissional Luciano Gennari, responsável pela implementação das placas em um prédio do bairro Morumbi, em São Paulo. “Estou super satisfeito por vários motivos, entre eles porque aproveitei as placas e criei uma cobertura para aumentar a área da churrasqueira e ainda gerei energia limpa para a área comum do meu condomínio (piscina, sauna, quadras, salas de jogos, cerca elétrica, câmeras, elevadores, etc) e já registramos uma economia de 60% ao ano na conta de luz”, explica ele.

Mesmo com os resultados alcançados e com o crescente aumento de brasileiros preocupados em economizar com a conta de luz, além da intenção de contribuir com o meio ambiente, existem ainda muitas dúvidas a respeito da geração de energia solar. Vamos ajudar a esclarecer:

O que é

É a energia elétrica produzida a partir de luz solar e pode ser produzida mesmo em dias nublados ou chuvosos. Quanto maior for a incidência solar, maior será a quantidade de eletricidade resultante do processo de transformação.

Como é produzida a energia

O processo de conversão da energia solar utiliza células fotovoltaicas (normalmente feitas de silício ou outro material semicondutor). Quando a luz solar incide sobre uma célula fotovoltaica, os elétrons do material semicondutor são postos em movimento, gerando eletricidade. Logo em seguida, toda a energia gerada é conectada na rede e chega até o “quadro” de luz, responsável por distribuir a carga. Existem plataformas online que permitem o monitoramento de tudo o que acontece na instalação.

Diferenças entre energia solar térmica e fotovoltaica

A energia solar térmica é a forma mais conhecida de energia solar no Brasil. Ela capta literalmente o calor do sol e aquece o elemento desejado, geralmente água ou gás. A térmica é uma solução para residências que buscam uma forma de aquecer a água sem depender da energia convencional (dispensando o chuveiro elétrico, por exemplo), enquanto a energia solar fotovoltaica permite o abastecimento total de todas as luzes e equipamentos eletrônicos do imóvel sem utilizar a energia proveniente da rede elétrica.

Vantagens

Inicialmente, o valor do investimento pode até causar espanto. Ele varia de acordo com a necessidade de cada imóvel, como o consumo regular de energia e a acessibilidade do local de instalação. Mas a boa notícia é que bancos passaram a oferecer um financiamento para fontes renováveis com prazos de amortização mais longos. “Existe ainda a possibilidade de parcelamento com a própria empresa contratada. O valor pago mensalmente chega a ser menor do que a conta de luz convencional”, certifica o diretor de projetos da Energy Free, Matheus Rosa.

Quanto custa?

Assine nossa newsletter e receba por e-mail as principais notícias e dicas.
Fique tranquilo, não enviamos SPAM.
Quero me cadastrar para receber informações relevantes por e-mail. Fique tranquilo, não fazemos SPAM.
Vamos pegar como exemplo a estimativa divulgada pela Blue Sol, de um consumidor do interior do Estado de São Paulo, que gasta R$ 300 por mês de energia a uma tarifa da CPFL Paulista de R$ 0,48 o kWh (quilowatt-hora) e com padrão bifásico. Um sistema fotovoltaico para esse consumo mensal e nessa região sai entre R$ 24 mil a R$ 27 mil, já considerando o projeto, equipamentos e a instalação. Além disso, o sistema vai suprir toda a energia que o morador costuma consumir, ficando ele obrigado a pagar apenas o custo mínimo de disponibilidade do uso da rede.

Para um padrão bifásico, o custo de disponibilidade é referente ao consumo de 50 kWh, o qual, multiplicado pelo valor da tarifa de R$ 0,48, será igual a R$ 24. Assim, esse consumidor terá uma redução de aproximadamente 92% na sua conta de luz com o uso do sistema, de R$ 300 para R$ 24. Ou seja, somente no primeiro ano, esse consumidor teria uma economia de R$ 3.312.

Considerando essa estimativa, seria possível cobrir o investimento em aproximadamente oito anos de uso do novo sistema.

Instalação

“Os painéis são instalados preferencialmente no telhado, para não perder a área de solo, mas também já os colocamos em estruturas para garagem e já acomodamos em suportes no chão. Os painéis devem estar apontados para o lado norte com uma leve inclinação, para obter melhor aproveitamento, mas também é possível usar o lado oeste e leste. Neste caso, a produção diminui em média 7%”, explica o diretor comercial da Energy Free, Eder Dias.

No geral, a tecnologia se adapta bem em qualquer lugar com incidência da luz solar. As construções mais novas já estão sendo projetadas com essa preocupação. Já as casas e prédios mais antigos precisam passar por um estudo, mas também podem abrigar as placas. O único limitador, no entanto, é o espaço. Cada painel com potência de 325 W (watts) mede 2 x 1 metros.

Panorama

Segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a geração solar fotovoltaica foi 88 vezes superior à energia gerada por meio de painéis solares térmicos no primeiro semestre do ano passado.

A energia solar fotovoltaica é uma das fontes energéticas que mais se expande no Brasil. Para se ter uma ideia, em cinco anos, a geração de energia por meio de painéis e telhados solares teve alta de 81.000%.

Outro dado que confirma esse crescimento vem da Aneel, que aponta que de junho de 2013 a junho de 2018, o número de pequenos geradores de fontes renováveis subiu de 23 para 30.900. Destes, 99% com tecnologia solar. Com isso, o setor distribuído de energia solar fechou 2018 com 48.613 sistemas de energia solar fotovoltaica instalados. A previsão é de que em 2024 o País tenha mais de 886 mil sistemas instalados.

O Estado com maior número de conexões é Minas Gerais, com 9.083, seguido por São Paulo e Rio Grande do Sul. Santa Catarina é o quarto colocado nesse ranking e tem, hoje, quase 3.500 sistemas instalados.