Quando Dove Karn comprou uma casa velha degradada em Margaretville, Nova York, no verão passado, ela enxergou ali a oportunidade de transformar um espaço cheio de correntes de ar em um lugar de eficiência energética. Para Karn, professora de escola pública envolvida em um programa educacional sobre o clima local, a casa de quase 120 anos se tornou uma oportunidade de implementar um pouco do que ela tinha aprendido sobre conservação de energia. “Eu preciso viver o que estou ensinando”, diz ela.

Todo mundo pode apontar para nossos carros parados na garagem como fortes sinais do tamanho de nossas pegadas de carbono, mas nós também devíamos olhar para nossas casas. A residência americana média consumiu cerca de 90 milhões de unidades térmicas britânicas (na sigla em inglês, BTU) em 2009, cerca de 50% mais do que o carro médio utiliza em um ano, segundo o Departamento de Energia. Quase metade dessa energia foi usada para aquecer e esfriar nossos lares; o resto foi para luzes, esquentar a água e alimentar eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos.

Descobrir como fazer uma casa gastar menos energia pode ser exaustivo. Claro, você pode substituir as lâmpadas incandescentes por LEDs, calafetar portas e janelas e instalar um termostato inteligente. Porém, quando se começa a pensar em investimentos maiores, como aquecedores de água sem caixa, bombas de calor geotérmicas e painéis solares, os custos disparam. É difícil saber onde colocar seu dinheiro e que investimentos podem fazer mais sentido para a sua casa.

Em breve, os donos de imóveis talvez tenham de pensar mais a sério sobre como diminuir sua pegada de carbono. No Estado de Nova York, o Legislativo aprovou no mês passado uma lei climática abrangente que exigirá um corte de emissões de até 85% abaixo dos níveis de 1990 até 2050. Além disso, o restante dos 15% deverá receber compensação ambiental. Para se enquadrar aos novos padrões, quem tem casa precisará executar grandes mudanças, como trocar fornos a gás por suas versões elétricas e instalar painéis solares em seus telhados.

Para começar a entender que tipo de poluidora eu sou, coloquei minhas informações na calculadora de pegada de carbono da Agência de Proteção Ambiental e descobri que minha casa com quatro pessoas e um carro emite 15 toneladas de carbono por ano – cerca de 30% menos que a casa média. Se eu realizasse melhorias modestas, como comprar uma geladeira nova, lavar toda minha roupa em água fria e abaixar um pouco a temperatura do meu termostato no inverno, eu poderia me livrar de 3 toneladas por ano. A sugestão parecia viável, mas nada heroica, e me fez me perguntar qual deveria ser minha meta de emissões.

Quão verde é verde o bastante?

Casius Pealer, diretor do programa de mestrado de Empreendimentos Imobiliários Sustentáveis, diz que a resposta a essa pergunta varia de acordo com questões como geografia, tamanho e idade do seu imóvel, e se sua energia foi produzida por fontes mais limpas. “Eficiência energética é um pouco como a sua saúde”, afirma ele. “Você precisa decidir o que é saudável o suficiente para você e então definir um plano realista para atingir aquela meta. Depois, manter o objetivo ao longo do tempo.”

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Pealer sugere que comecemos estudando nossas casas. Um sistema de automação HVAC de alta eficiência pode ser um ótimo investimento com o tempo, mas não deveria ser o primeiro. Seu primeiro passo deveria ser descobrir onde o seu ar aquecido ou resfriado escapa da sua casa e então adotar medidas para impedir que ele saia. “Limite o desperdício e então descubra jeitos eficientes de produzir o que você precisa”, diz ele.

Comece lendo de fato sua conta de energia e não só o total no pé do comunicado. Levante os últimos 12 meses de gastos para ter uma ideia melhor de como e quando você usa energia. Depois, faça uma vistoria energética da sua casa – um processo em que um técnico aponta onde uma casa está desperdiçando energia e então sugere maneiras de diminuir o desperdício.

Mover água para dentro da sua casa e para fora dela também exige energia. Portanto, reduza o desperdício de água. Você poderia, por exemplo, instalar um monitor inteligente que detecta vazamentos e permite usar seu smartphone para fechar remotamente o abastecimento de água de casa.

Pequenas mudanças têm impacto significativo

Considere o caso de Ann Jacobs e Brad Brunson. O casal morava em uma casa vitoriana de 1897 em Milwaukee. Mas com tantas correntes de ar no inverno, eles precisavam usar aquecedores elétricos na sala para se manterem aquecidos. “Era um frio terrível”, conta Jacobs, advogada, sobre o período do início dos anos 2000. Além disso, as contas de energia estavam fora de controle. “Elas estavam muito acima em centenas de centenas de dólares”, diz ela. “Era simplesmente inacreditável.”

Amigos sugeriram ao casal trocar todas as janelas, um projeto caro para um imóvel com 16 janelas só do lado da frente, muitas delas com vidros gradeados, que davam personalidade e combinavam com o estilo arquitetônico da casa. Primeiro eles fizeram uma vistoria energética, em que o técnico testou como o ar se movimentava pelo imóvel e onde ele escapava.

Descobriu-se que as paredes não tinham isolamento e que o calor estava escapando pelo sótão e pelo porão. Feito isso, o casal isolou paredes e sótão e trocou só as janelas do porão, um projeto que custou bem menos do que teriam gastado para substituir todas as janelas da casa. “De repente tínhamos uma casa em que podíamos viver”, diz Jacobs. “As pessoas subestimam as pequenas mudanças que fazem uma diferença enorme.”

De onde vem sua energia?

A época de reforma é o período mais fácil de adotar soluções verdes, como quando Karn reformou sua casa em Margaretville. Em um projeto de 10 meses que custou cerca de US$ 130 mil, ela pôs abaixo as paredes da casa. Sem elas no caminho, Karn conseguiu isolar melhor o imóvel com espuma em spray. Um financiamento de US$ 4 mil da Autoridade de Pesquisa e Desenvolvimento do estado de Nova York ajudou a amenizar o peso do gasto de US$ 22 mil com isolamento. Karn trocou as janelas de painel único por outras de painel duplo, suspensas em dois pontos, e comprou uma caldeira mais energeticamente econômica, que também esquenta a água. Ela usa lâmpadas de LED e compra energia de uma fazenda solar vizinha.

Com o trabalho concluído, Karn se mudou para o imóvel em junho com a filha de 19 anos. “Tudo que eu pensava era: como posso fazer todas essas melhorias sem gastar muito e ter o mínimo de impacto no meio ambiente?”, porque no fim das contas, “faz diferença de onde nós obtemos nossa energia e como esquentamos nossas casas”./ TRADUÇÃO DE FABRÍCIO CALADO