Embora a maioria de nós fique preocupada ao ter que preparar um jantar para oito, certas pessoas podem facilmente organizar uma festa pra 100, toda trabalhada num tema náutico, porque é quase verão, então, por que não? Sem dúvida, eles também estarão colocando uma mesa para 20, ou talvez 50 (que diferença faz?) no Dia de Ação de Graças, Natal ou na Páscoa. Mesmo as menores ocasiões acontecem no mesmo lugar.

E o que seria do Halloween sem uma festa à fantasia, certo? No Dia da Independência você pode presumir que o churrasco durará muito além da queima de fogos. De alguma forma, aquela sala de estar parece que foi feita para você entrar e tomar uma bebida. E você sempre faz isso – e ano após ano, a casa deles é o lugar para onde todos vão.

Mas as festas são caras, demoradas e podem transformar um imóvel perfeitamente adorável em uma perfeita bagunça. A decoração pode levar semanas, se não meses de planejamento. Os hóspedes, principalmente aqueles com quem você tem um relacionamento, podem ser exigentes. E se você está gerindo a distribuição de drinks e canapés, adivinhe a quem eles vão apresentar as reclamações? Depois que os últimos convidados voltam para casa para se preparar para a ressaca, alguém precisa limpar as consequências, uma tarefa que pode consumir o resto do fim de semana. Então, por que alguém iria querer ser o anfitrião eternamente?

Talento diferente

Para Jay Spach, de 67 anos, que junto com sua esposa deu mais festas do que pode se lembrar na casa de Staten Island do casal, a resposta é simples: “se você só vê amigos e familiares em grupinhos de um ou dois, você nunca tem o prazer de vê-los todos juntos”. É por isso que os Spachs prestaram tanta atenção às acomodações de hóspedes quando expandiram sua casa há 15 anos, de 334m² para 743m².

Eles reformaram o sótão e o porão para que houvesse muito espaço para visitantes durante a noite, porque, o que é uma festa sem festa do pijama? Eles também instalaram uma cozinha profissional, com duas máquinas de lavar louça. Na sala de estar, o casal construiu um bar de mogno com seis banquetas, luminárias pendentes de estilo Tiffany e um vitral. “Adivinhe qual é a parte preferida de todos na sala de estar?”, perguntou Mary Dale Spach, 76 anos. “É o bar do Jay.”

O maior evento deles, sem dúvida, é a festa anual de Natal, onde os cartões de convite são disparados em outubro para cerca de 100 amigos e parentes. É necessário traje de coquetel. Um dos frequentadores regulares, um músico que se apresenta na orquestra de “O Rei Leão” na Broadway, toca piano enquanto os Spachs fazem serenata para seus convidados. Mary Dale Spach se apresentou na Broadway no musical de curta duração de Alan Jay Lerner, em 1983, “Dance a Little Closer”, e excursionou com “Stop the World – I Want to Get Off.” E Jay Spach trabalhou anteriormente na área administrativa da Acting Company e da Negro Ensemble Company. “Todo mundo tem que se vestir e então nós cantamos”, disse Mary. “Ninguém mais faz esse tipo de festa, então eles adoram!”

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Cerca de 20 anos atrás, logo depois que me mudei para Nova York, participei de um dos churrascos de verão dos Spachs, convidada por sua filha, uma colega de trabalho na época. Eu praticamente não conhecia ninguém, mas de alguma forma sentia como se eu fosse parte da família. Jay Spach estava ao lado da churrasqueira usando um avental e animando os convidados a trazerem pães, pratos e acompanhamentos para a mesa. Lembro-me de entrar em casa alegremente para ajudar.

Lisa Cokinos, co-fundadora da B-Lee Events em Manhattan, disse que o anfitrião perfeito tem um talento especial para fazer com que os hóspedes se sintam como se estivessem participando das festividades, não apenas observando. “É preciso que haja uma única pessoa que seja desenvolta o bastante para atender diferentes personalidades”, disse ela. O evento pode parecer alegre e sem falhas, mas nunca é. Cada detalhe é cuidadosamente considerado, com um anfitrião que não necessariamente dá vida à festa, mas definitivamente a controla.

A casa pode parecer projetada para entretenimento, mas isso também é ilusão às vezes. “Não precisa ser a maior ou a melhor casa e nem estar numa localização central”, disse Cokinos. É o anfitrião, não o espaço, quem define o clima. E o clima é fundamental. “O elemento número um para ser um grande anfitrião é estar presente”, disse Lindsey Kauffman, co-proprietária da Celebrated, que vende online suprimentos para festas. “E você não pode estar presente se não estiver organizado.”

O anfitrião pensa em tudo

Alex Aberle toma notas escrupulosas quando se prepara para as festas que realiza na casa da Filadélfia, que comprou em 2017 por US$ 550.000 com sua parceira, Violette Levy. Ele anota seus erros, detalhes que ignorou e coisas que correram bem. “Há um pouco de auto competição”, disse Alex, de 27 anos, agente imobiliário que se compara à Monica Geller, a prestadora de serviços obsessiva e hipercompetitiva da série de televisão “Friends”. “Fiz cinco tortas no ano passado e este ano eu tenho que fazer seis”, completa Violette, sua esposa, também com 27 anos, que trabalha como babá.

A maior festa do casal acontece todos os anos no início de outubro, quando chamam 120 convidados para assistir à encenação anual da Batalha de Germantown, um episódio da Guerra Revolucionária travada no que agora é o gramado da frente de sua casa, uma área de 930m² de uma residência de estilo federalista, construída em 1798.

Algumas semanas depois, é hora da festa anual de Halloween. Em 2018, eles decoraram a propriedade de 100 hectares com o tema “Alice no país das maravilhas”, descrevendo a configuração na página do Instagram da casa, Historicupsala – porque é claro que uma mansão do século XVIII teria uma página no Instagram. Quando a noite caiu, os convidados sentaram-se em volta de uma mesa preparada para uma festa do chá do Chapeleiro Maluco, cercada por cogumelos vermelhos gigantes, uma quadra de croquet e sebes falsas. Eles ainda distribuíram 40 quilos de doces para brincarem de gostosuras ou travessuras.

As celebrações são sempre divertidas, mas nunca são baratas. “Depois de cada festa, olho para o extrato do cartão de crédito e acho que poderíamos ter usado esse dinheiro para tirar férias”, conta Alex, estimando que a festa da reencenação custa cerca de US$ 20.000 por ano – uma quantia que poderia financiar férias fantásticas. A propriedade deles inclui mitigação do National Trust for Historic Preservation, que exige a encenação anual. Mas ele considera o custo como o preço da diversão. “Prefiro gastar esse dinheiro trazendo amigos e familiares para minha casa para comer e comemorar.”

Para o evento de 4 de julho, eles devem abrir a churrasqueira e convidar cerca de 20 pessoas. Experientes como são, Alex e Violette ainda têm condições de realizar sua brincadeira de churrasco de verão. Na lista de desejos, eles colocaram uma piscina fixa, porque se você vai fazer uma festa de verão, é melhor ter uma piscina. / TRADUÇÃO DE ELENA MENDONÇA