As paredes estão pintadas, os carpetes desenrolados e os móveis instalados. Por que ainda assim a sala de visitas não parece terminada? Porque não está. O que falta são acessórios decorativos – almofadas e mantas, bandejas e travessa, pilhas de livros, talvez uma ou duas plantas – para tornar o lugar interessante e convidativo. “Geralmente a sala antes dos acessórios é sem graça”, diz Alyssa Kapito, designer de interiores de Nova York. “Ela não tem a profundidade e personalidade que só esses elementos podem trazer.” O segredo é achar os acessórios certos, o que é mais difícil do que parece. Por isso, pedimos dicas a designers de interiores.

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Tenha um plano

O segredo para escolher acessórios é entender que todos eles têm de funcionar juntos. Você não pode simplesmente escolher um de cada vez. Pense neles como uma coleção. “A casa deve ser como uma Gesamtkunstwerk (obra de arte plena, em tradução livre do alemão)”, diz Kapito. “Tudo precisa estar junto. Tudo precisa ser pensado.” Por isso, colocar acessórios em uma sala de visitas é mais do que simplesmente comprar o que quer que agrade sua vista. “Nós sempre pensamos os acessórios no começo”, diz Kevin Dumais, designer de interiores em Manhattan.

“Quando combinamos as plantas dos diferentes quartos, buscamos tecidos que possam ampliar ou acentuar a paleta geral de cores, ou reforçar o clima que queremos criar, e deixamos eles para usar depois, com almofadas.” Shawn Henderson, designer conhecido por seus interiores confortáveis e minimalistas, diz que, antes de comprar qualquer acessório, é melhor descobrir quais são necessários e onde. “Sou muito detalhista com isso, boto os itens na planta dos móveis”, diz Henderson. “Eu desenho uma coleção de coisas na mesa de cada canto perto do sofá e na mesa do café, para estudar como os vários objetos vão funcionar juntos.”

Defina um esquema de cores

Acessórios podem tanto combinar com o esquema geral de cores da sala, para uma aparência coesa e calma, ou chamar a atenção com cores e padrões contrastantes para animar o espaço. Em um apartamento no West Village de Manhattan, por exemplo, Kapito usou acessórios de tons mudos: almofadas forradas de tecido off-white com texturas Holland & Sherry e uma almofada de caxemira cor de camelo, em um sofá escuro, com vasos esculpidos e potes de tons terrosos.

“É leve e não força a vista,” diz ela, mas alerta: “Se você for trabalhar com tons neutros, é importante ter o máximo possível de texturas no cômodo.” Fawn Galli, designer que decorou uma casa em Short Hills, Nova Jersey, adotou a abordagem oposta. Ela usou cinzas modestos nas paredes, sofá e tapete, e depois rosa claro nos banquetes e lâmpadas, amarelo ácido em uma almofada e canudos nas outras. O objetivo era “deixar o lugar vibrante, com energia e excitante”, diz ela. “É só um pedacinho de tecido, mas o amarelo ácido rouba a cena de um jeito positivo.”

Escolha suas almofadas

Almofadas e mantas, que têm apelo visual e dão conforto, nunca deveriam ser deixadas para depois: as almofadas certas permitem às pessoas ajustar sua posição de sentar no sofá e a manta é uma fonte simples e fácil de calor. De quantas almofadas você precisa? Para um sofá comum, “no mínimo três e no máximo cinco, dependendo do tamanho dele”, diz Dumais. “Em um sofá modular, podem ser mais.” Elas não precisam combinar e nem ser do mesmo tamanho. Mas precisam ser parte de um plano coordenado.

Para um quarto de família em TriBeca, Dumais usou várias almofadas em um sofá modular, de vários tamanhos e materiais, como lã de feltro, buclê, alpaca e estampas de linho e de peles, além de almofadas para o chão de cor coral e mohair-e-couro. Para o sofá da sala de visitas do mesmo apartamento, diz ele, “usamos veludo, seda crua, couro e suede nas almofadas”, de novo em vários formatos e tamanhos, “só para tornar mais interessante.”

A combinação pode parecer aleatória, mas não foi: Todas as almofadas que aparentemente não combinavam usavam materiais, cores e padrões ligados uns aos outros visualmente, para criar uma composição coerente. Em alguns casos, Dumais dá uma ideia de unidade usando tecidos que refletem o ambiente ao redor, como fez em uma casa de Vero Beach, na Flórida. “É uma casa de praia. Então deixamos tudo casual, leve e simples”, diz, “com linho, algodão e coisas fofas e gostosas de tocar. As almofadas têm listras e padrões de praia.”

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Inclua elementos esculturais

Pense como um curador e organize tigelas, vasilhas, castiçais, vasos e outros objetos favoritos em mesas, prateleiras e no encosto da lareira. Se eles tiverem uma aparência esculpida, tudo bem estarem vazios. “Você quer uma seleção grande de coisas que tragam formas interessantes e mais camadas à sala”, diz Henderson, notando que “é sempre importante misturar os materiais”. Ao descrever o processo de decorar a sala de um apartamento perto da High Line, em Manhattan, ele diz: “Como a mesa de café é de pedra, pus madeira e bronze para deixá-la quente”, na forma de uma série de caixas. Depois, ele botou vários outros objetos de complemento às caixas, incluindo livros empilhados, um vaso de flores de vidro e um laço de cerâmica.

Kapito diz que sempre está atrás de peças vintage que sirvam de acessórios distintos, em particular coisas inesperadas como uma jarra de cerâmica que ela pôs no encosto da lareira da casa de um cliente de Bellport, Nova York. “Por que uma jarra na lareira? Porque fica lindo”, diz. Acessórios incomuns dão um toque exótico, afirma ela: “Uma jarra cheia de flores é mais divertida que um vaso.”

Combine forma e função

Leve em conta que acessórios vão facilitar sua vida no dia a dia – travessas e bandejas que controlem a bagunça, por exemplo. “Travessas são acessórios que a gente usa em quase todo projeto e superfície, porque é um lugar para você juntar todas as suas coisas: relógio, carteira, celular, chaves”, diz Dumais. “Assim elas não ficam largadas em qualquer canto.” Faltou lugar para as crianças ou convidados se sentarem? Use um par de banquetas leves, pufes ou almofadas que possam mudar de lugar facilmente.

Sua mesa de café está transbordando de revistas? Ache uma cesta ou rack atraente para guardá-las. Há uma lareira na casa? Procure ferramentas que se destaquem e recipientes visualmente agradáveis para guardar materiais, mesmo que raramente você acenda o fogo. Você tem uma coleção de livros preferidos? Use alguns como decoração. “Livros são, na verdade, um ótimo jeito de botar outras cores”, diz Kapita, sugerindo uma pequena pilha de livros que “sejam do seu interesse, mas também bonitos.”

Abrace seu jardineiro interior

Já reparou que as casas de revista geralmente têm grandes flores podadas e galhos à mostra ou plantas em potes espetaculares? Você pode usar a mesma estratégia. “Ter aquele toque de verde, um sinal de vida, é sempre reconfortante” , diz Henderson. Pode ser algo simples, como algumas suculentas em potes esculpidos pequenos. Para algo mais dramático, experimente botar plantas grandes para dar uma ideia de altura, mesmo em um quarto com pé-direito baixo.

“Se um quarto precisa de altura, uma planta é um ótimo jeito de direcionar a vista para cima”, diz Kapito, que pôs uma grande árvore dracena reflexa no canto de um apartamento em West Village. Só tome cuidado para que entre o móvel e os acessórios haja “níveis de escala diferentes”, diz ela, “para não ficar tudo em um lugar só”. Galli costuma usar a mesma estratégia. “Uma palmeira alta pode, por si só, dar uma sensação de exuberância e energia”, afirma. “É só uma planta, mas muda tudo.”

Faça pequenos ajustes

Mesmo planejando antecipadamente, colocar acessórios em uma sala de visita em geral requer pequenos ajustes no final. Por isso é que os designers geralmente pegam acessórios com os fornecedores “mediante aprovação”, diz Henderson. Assim, eles podem ver como o item fica no lugar antes de se comprometer a comprá-lo. Se o acessório funcionar bem, as peças são pagas e ficam onde estão; se não, elas voltam. Você também pode fazer algo parecido, mas cuidado com a política de devolução: compre mais acessórios do que acha que precisa, experimente-os, escolha os preferidos e devolva o resto.

Quando olhar sua sala de visitas, procure áreas que pareçam muito vazias ou forçadas. “Tem um momento no final que é como pegar e destacar a ideia de toda a decoração com um marca-texto”, diz Galli. “Os acessórios são pensados no começo, mas no fim nós perguntamos: ‘Dá para ir além ou é hora de recuar?’ É aquele último momento de achar o equilíbrio e completar a história.” / TRADUÇÃO DE FABRÍCIO CALADO